VALIDADE DE PARÂMETROS COMPORTAMENTAIS E FISIOLÓGICOS PARA A AVALIAÇÃO DA DOR AGUDA DE RECÉM-NASCIDOS A TERMO


ANDREA LÜBE DE S.THIAGO PEREIRA: Mestre em Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP-EPM)

RUTH GUINSBURG: Doutora em Pediatria e Professora Adjunta da Disciplina de Pediatria Neonatal da UNIFESP-EPM

MARIA FERNANDA BRANCO DE ALMEIDA: Doutora em Pediatria e Professora Adjunta da Disciplina de Pediatria Neonatal da UNIFESP-EPM

ANA CRISTINA MONTEIRO: Ex-especializanda em Neonatologia da Disciplina de Pediatria Neonatal da UNIFESP-EPM

AMÉLIA MIYASHIRO NUNES DOS SANTOS: Mestre em Pediatria e Professora Adjunta da Disciplina de Pediatria Neonatal da UNIFESP-EPM

BENJAMIN ISRAEL KOPELMAN: Professor Titular da Disciplina de Pediatria Neonatal da UNIFESP-EPM

LOCAL DE DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO: UNIFESP-EPM

Endereço para Correspondência:

Caixa Postal 20.359, CEP 04041-990, São Paulo, SP

Telefone: (011)576.4357

Telefax: (011)570.1676 ou (011)570.4982

e-mail: dpn@mandic.com.br


RESUMO

Objetivo: verificar a validade do Sistema de Codificação da Atividade Facial Neonatal (NFCS), Escala de Dor para o RN (NIPS), freqüência cardíaca (FC) e saturação de oxigênio (SatO2) para a avaliação da dor no recém-nascido (RN).

Desenho: prospectivo, cego e randomizado.

Local: maternidade de nível secundário.

Participantes: 70 RN a termo saudáveis, com punção venosa para bilirrubina, divididos em dois grupos: P (n=33) recebeu um estímulo doloroso (punção) e F (n=37) um desagradável (fricção na mão).

Intervenção: observação do NFCS, da NIPS, da FC e da SatO2, antes (PRÉ), durante (T0) e 1(T1), 3(T3), 5(T5) e 10(T10) minutos após P ou F.

Mensuração: testes não paramétricos (significância: p<0.05).

Resultados: a mediana do NFCS e da NIPS foi maior no Grupo P em T0, T1 e T3. Mais RN do Grupo P apresentaram NFCS >2 e/ou NIPS >3 em T0, T1 e T3. A FC foi inferior no Grupo P em T1. A SatO2 manteve-se, em média, acima de 90% nos dois grupos.

Conclusões: o NFCS e a NIPS são válidos para a avaliação da dor aguda no RN a termo. A FC e a SatO2 devem ser utilizadas como coadjuvantes.

PALAVRAS-CHAVE: RECÉM-NASCIDO, DOR, AVALIAÇÃO DA DOR


INTRODUÇÃO

A dor no período neonatal tem sido motivo de inúmeros estudos. O fato de se lidar com pacientes pré-verbais, em diferentes fases de desenvolvimento cognitivo, e que expressam as suas reações aos mais variados estímulos de forma similar, pode levar a grandes dúvidas na interpretação e avaliação das respostas à dor, impedindo um atendimento adequado àquela criança. Dessa forma, um ponto fundamental para a abordagem terapêutica da dor no período neonatal é, sem dúvida, uma avaliação adequada da sua presença.1,2

A subjetividade da dor gera uma grande dificuldade para a elaboração de um método único de avaliação e de fácil aplicação na clínica diária. Os métodos para a avaliação da dor no período neonatal devem ser válidos, seguros, confiáveis, úteis e exeqüíveis.3,4,5

Hoje se dispõe de vários indicadores fisiológicos, que podem ser usados na avaliação, quantificação e qualificação do estímulo doloroso. A especificidade, sensibilidade e praticidade da aplicação desses indicadores variam muito; porém, de modo geral, são de fácil aplicação e disponíveis nas unidades de cuidado ao recém-nascido.6 Essas variáveis incluem: freqüência cardíaca, freqüência respiratória, pressão arterial, saturação de oxigênio, tensão transcutânea de oxigênio e de dióxido de carbono, tônus vagal, sudorese palmar e pressão intracraniana, além de dosagens hormonais, ligadas à resposta endócrino-metabólica de estresse. Tais medidas fisiológicas não estão especificamente relacionadas à dor.7 Além disso, a maioria delas só foi estudada para verificar a presença ou a ausência de dor, mas não a sua intensidade e/ou outras características qualitativas. Mais ainda, as variáveis ditas fisiológicas têm sido avaliadas exclusivamente como resposta à dor aguda e de curta duração, o que pode dificultar a sua aplicação aos vários tipos de dor encontrados nos recém-nascidos nas unidades de terapia intensiva.8

As reações comportamentais do recém-nascido frente à dor parecem promissoras para a avaliação da dor nessa faixa etária.9,10,11,12,13 As principais variáveis comportamentais analisadas no contexto da dor são o choro, a atividade motora e a mímica facial de dor.

O choro é considerado como o método primário de comunicação nos neonatos14,15. A comunicação da presença de estresse através do choro mobiliza o adulto, seja ele a mãe do recém-nascido ou algum profissional envolvido no seu cuidado.16,17 Vários estudos têm sido realizados para verificar as características do choro e as suas relações com a dor18,19. No entanto, um dos problemas que mais limita o seu uso é o fato de que, na maioria dos estudos, cerca de 50% dos recém-nascidos não choram durante o procedimento doloroso.1,10,20 Além disso, o choro é pouco específico, pois pode ser desencadeado por outros estímulos não dolorosos, como fome e desconforto21. O choro, como medida de dor, parece ser um instrumento útil, quando analisado no contexto do que está ocorrendo com a criança e associado a outras medidas de avaliação de dor.21,22

Com relação à atividade motora em resposta ao estímulo doloroso, sabe-se hoje que, quando da punção em um dos calcâneos, após 0,3 segundos o neonato a termo retira a perna não afetada, em 0,4 segundos flete a perna puncionada e depois de 1,8 segundos chora.23 A análise isolada da atividade motora parece ser um método sensível de avaliação da dor, pois os neonatos prematuros e a termo demonstram um repertório organizado de movimentos após a estimulação sensorial.24,25 Quando a atividade motora é analisada em conjunto com outras variáveis fisiológicas e comportamentais, a avaliação da dor torna-se mais segura e permite a discriminação entre a dor e outros estímulos não dolorosos.21

A observação da expressão facial é um método não invasivo de avaliação de dor, sensível e útil na clínica diária. Trata-se também de um método específico para avaliação da dor em recém-nascidos prematuros e de termo.9,10,24 A atividade facial de lactentes pré-verbais é expressiva e parece fornecer ricas informações sobre o estado emocional da criança, além da dor,26,27 satisfazendo assim o critério subjetivo, necessário para a determinação da presença de dor, segundo a definição da IASP.28 Várias formas de avaliação da expressão facial foram desenvolvidas para o estudo objetivo da dor no neonato. Dentre elas, destaca-se o Sistema de Codificação da Atividade Facial Neonatal - NFCS,9,10 que avalia oito parâmetros de mímica facial: fronte, olhos, sulco naso-labial, movimentos da boca e lábios (três parâmetros) e tremor de queixo. Sabe-se que fronte saliente, olhos espremidos, sulco naso-labial aprofundado e lábios entreabertos estão presentes em mais de 90% dos recém-nascidos submetidos a um estímulo doloroso.10 A análise da expressão facial nos fornece, portanto, informações válidas, sensíveis e específicas a respeito da natureza e da intensidade da dor, permitindo uma comunicação eficaz entre o neonato e as pessoas envolvidas em seus cuidados.

Devido ao caráter subjetivo da dor, métodos multidimensionais de avaliação de dor devem ser utilizados, pois dessa forma consegue-se obter o máximo de informações a respeito das respostas individuais à dor e de suas interações com o ambiente.8 Dentre as várias escalas de dor descritas, as mais estudadas são a Escala de Avaliação de Dor - NIPS12 e, recentemente, o Perfil de Dor do Prematuro - PIPP.29

A NIPS é composta por seis indicadores de dor, cinco comportamentais e um fisiológico, e foi adaptada da escala de dor do Children’s Hospital of Eastern Ontario - CHEOPS.30 As avaliações são feitas em intervalos de um minuto antes, durante e após o procedimento agressivo. Segundo seus autores, trata-se de uma escala válida, pois baseia-se nas alterações comportamentais frente ao estímulo doloroso amplamente descritas na literatura.12 Esta escala tem se mostrado útil para a avaliação de dor em neonatos a termo e prematuros, conseguindo diferenciar os estímulos doloroso dos não dolorosos.11

A PIPP foi desenvolvida por STEVENS et al.29 especialmente para avaliar a dor aguda de recém-nascidos prematuros e de termo. A escala engloba os seguintes parâmetros: magnitude de elevação da freqüência cardíaca e da queda da saturação de oxigênio; percentual de tempo em que o recém-nascido permanece com testa franzida, olhos espremidos e aprofundamento do sulco naso-labial; idade gestacional no momento da avaliação e estado de alerta. A PIPP reflete acuradamente diferenças entre estímulos dolorosos e não dolorosos, em toda faixa etária neonatal.8 Ela valoriza o prematuro e leva em conta que ele pode expressar menos dor,20 parecendo ser um instrumento útil, específico e sensível para a avaliação da dor no paciente neonatal.

Pode-se perceber que um grande número de métodos de avaliação de dor está disponível para o uso nos lactentes pré-verbais, porém nenhum deles, até o momento, se mostrou simultaneamente específico, sensível e válido.21 Por isso, o interesse do presente estudo em verificar se variáveis fisiológicas, como a freqüência cardíaca e a saturação de oxigênio, variáveis comportamentais, como a mímica facial, e uma escala multidimensional de dor, a NIPS, são instrumentos válidos para a detecção da dor no período neonatal.


CASUÍSTICA E MÉTODO

Foram estudados 70 recém-nascidos de uma maternidade do Município de São Paulo, no período de abril a novembro de 1994. O protocolo de estudo foi aprovado pela Comissão de Ética Médica do Hospital São Paulo - UNIFESP/EPM. Para que os pacientes fossem incluídos na pesquisa, foram utilizados os seguintes critérios :

Foram excluídos da pesquisa os seguintes neonatos:

Após a verificação dos critérios de inclusão, foram registrados os dados clínicos do recém-nascido: peso de nascimento expresso em gramas; idade gestacional; sexo; adequação do peso e da idade gestacional;40 boletim de APGAR com um e cinco minutos de vida;35 idade pós-natal em horas; intervalo de tempo entre o início do estudo e a última mamada, em minutos.

Os recém-nascidos foram submetidos a dois tipos de procedimentos. Um grupo recebeu um estímulo doloroso através de punção venosa no dorso da mão (Grupo P) e outro recebeu um estímulo não doloroso, através da fricção no dorso da mão com algodão embebido em álcool (Grupo F). O neonato era designado para um dos dois grupos de maneira aleatória, através de sorteio. Dois pesquisadores estavam envolvidos no estudo: um realizava o sorteio e executava a punção ou a fricção no paciente; o outro pesquisador observava os parâmetros comportamentais e as variáveis fisiológicas relacionadas à presença de dor. Este último desconhecia se o recém-nascido havia sido submetido à punção ou à fricção.

Após o sorteio, o paciente era colocado em um berço de calor radiante e posicionava-se um anteparo entre a mão do recém-nascido submetida ao procedimento e o restante do corpo, de maneira a impedir que o pesquisador que observava os parâmetros de dor soubesse qual procedimento, punção ou fricção, havia sido realizado no recém-nascido. Um sensor de oxímetro de pulso era fixado na planta do pé para a avaliação das variáveis fisiológicas. Ao mesmo tempo, era realizada a assepsia do dorso da mão a ser submetida à punção ou à fricção. Após este preparo, o paciente era deixado em repouso por cerca de cinco minutos, antes da punção ou da fricção.

A punção era realizada em veia do dorso da mão. Em todos os casos apenas uma tentativa de punção foi realizada. Após a coleta de cerca de 1 ml de sangue venoso, era feita a hemostasia com uma leve compressão do local, por cerca de um minuto.

A fricção no dorso da mão era realizada com um chumaço de algodão embebido em álcool a 70%, seguido de compressão com algodão seco, no local da fricção, por um minuto, simulando a fase de hemostasia.

Após o procedimento, os pacientes eram mantidos em repouso por um período de dez minutos. Durante essa fase não eram realizadas quaisquer medidas não farmacológicas para o alívio da dor.

A avaliação das escalas comportamentais e dos parâmetros fisiológicos de dor foi feita nos seguintes períodos:

As seguintes escalas comportamentais foram aplicadas: o Sistema de Codificação da Atividade Facial Neonatal – NFCS9 e a Escala de Avaliação da Dor no Recém-Nascido - NIPS.12

O NFCS foi definido através das seguintes características de mímica facial, observadas no recém-nascido: fronte saliente; olhos espremidos; sulco naso-labial aprofundado; boca esticada; lábios entreabertos; lábios franzidos; língua tensa e tremor do queixo. Para cada um dos itens, quando presente, foi atribuído um ponto. O escore máximo era oito pontos, considerando-se a presença de dor quando a pontuação era superior a dois.9

A NIPS avaliou os seguintes parâmetros: expressão facial (0 ou 1 ponto); choro (0,1 ou 2 pontos); padrão respiratório (0 ou 1 ponto); postura dos braços (0 ou 1 ponto); postura das pernas (0 ou 1 ponto) e estado de alerta (0 ou 1 ponto). O escore total foi definido pela soma dos valores obtidos, sendo no máximo sete. Considerou-se a presença de dor quando a pontuação era superior a três.12

A freqüência cardíaca foi avaliada através de um oxímetro de pulso. A anotação dessa variável foi considerada somente quando o sinal emitido pelo oxímetro era de bom padrão. A freqüência cardíaca foi registrada minuto a minuto, no decorrer de todo o procedimento, e anotada nos tempos estabelecidos. Considerou-se como bradicardia freqüência cardíaca inferior a 80 bpm e taquicardia, freqüência superior a 160 bpm.41

A saturação arterial de oxigênio foi avaliada através do mesmo oxímetro de pulso, considerando-se os mesmos requisitos de qualidade do sinal. Definiu-se a presença de hipóxia quando a saturação obtida foi inferior a 90%.42

Analisou-se o comportamento dos neonatos frente à punção ou à fricção através dos seguintes testes estatísticos:

Em todos os testes fixou-se em 0,05 ou 5% (alfa < 0,05) o nível de rejeição da hipótese de nulidade.


RESULTADOS

A população estudada constituiu-se de 70 recém-nascidos, sendo 33 do Grupo Punção (P) e 37 do Grupo Fricção (F). Com relação às características gerais da amostra de recém-nascidos estudada (TABELA 1), observou-se que a média do peso ao nascer no Grupo P foi 3.160 gramas, variando de 2.260 a 5.150 gramas e a dos neonatos do Grupo F foi 3.052 gramas, variando de 2.270 a 4.320 gramas. Com relação à idade gestacional, ambos os grupos apresentaram média de 39 semanas de gestação. Quando da aplicação do boletim de APGAR no primeiro e quinto minutos de vida, os escores obtidos foram semelhantes nos dois grupos. Verificou-se 19 (58%) recém-nascidos do sexo masculino no Grupo P e 25 (68%) no Grupo F. A maioria dos neonatos (76%) era adequada para a idade gestacional em ambos os grupos. A idade pós-natal dos recém-nascidos no momento do estudo foi 59 horas no Grupo P e 52 horas no Grupo F. O intervalo de tempo entre a mamada e o início do estudo foi 33 minutos no Grupo P, variando entre 30 e 45 minutos e 31 minutos no Grupo F, variando entre 30 e 40 minutos, o que resultou em uma diferença estatisticamente significante (Teste t - p=0,02).

Quando da aplicação do NFCS (TABELA 2), observou-se valores mais elevados durante o procedimento, um e três minutos após o mesmo no Grupo P, comparado ao Grupo F (M.Whitney - T0 e T1: p<0,00001; T3: p=0,006). A avaliação do NFCS foi diferente nos vários tempos estudados, tanto no Grupo P como no F (Friedman - Grupo P: p<0,00001 e Grupo F: p=0,002). Com relação à presença de dor, definida por NFCS superior a dois pontos (TABELA 3), observou-se que, no T0, T1 e T3, um número maior de neonatos do Grupo P apresentou NFCS superior a dois, comparado aos pacientes do Grupo F (X2 - T0: p=0,0003 e T1: p<0,00001; Fisher - T3: p<0,00001).

Com relação aos resultados obtidos com a aplicação da NIPS (TABELA 2), a mediana dos escores observados no T0, T1 e T3 foi mais elevada no Grupo P (M.Whitney - T0 e T1: p<0,00001 e T3: p=0,0074). A avaliação da NIPS foi diferente nos vários tempos estudados, tanto no Grupo P, como no F (Friedman - grupo P: p<0,00001 e Grupo F: p=0,0003). Com relação à presença de dor, quando se utilizou a escala NIPS (TABELA 3), nos tempos 0, 1 e 3, um número significantemente maior de pacientes do Grupo P apresentou NIPS superior a três, comparado aos do Grupo F (X2 - T0: p=0,0003 e T1: p<0,00001; Fisher - T3: p=0,00015).

Quanto à freqüência cardíaca (TABELA 4), os valores obtidos nos grupos punção e fricção foram diferentes apenas no T1 (M.Whitney - T1: p=0,01). Em ambos os grupos, a freqüência cardíaca diminuiu no T0 e T1, comparada ao PRÉ, e depois tornou a se elevar (Friedman - Grupo P: p=0,0006 e Grupo F: p=0,03). Com relação à presença de bradicardia ou taquicardia (TABELA 5), em T3 um número maior de pacientes do Grupo P apresentou bradicardia ou taquicardia (Fisher - T3: p=0,045). Nos outros tempos do estudo nenhuma diferença foi encontrada entre os grupos.

Com relação à saturação arterial de oxigênio (TABELA 4), notou-se que o Grupo P apresentou valores mais baixos do que o Grupo F nos períodos PRÉ, T1, T3 e T5 (M.Whitney - PRÉ: p=0,0066; T1: p=0,0002; T3: p=0,045; T5: p=0,01). No entanto, a média destes valores nos dois grupos, em todos os tempos do estudo, esteve igual ou acima de 90%. Em ambos os grupos, a saturação de oxigênio diminuiu durante o procedimento ou um minuto após a sua realização (Friedman - Grupo P: p=0,0003 e grupo F: p=0,0002). Com relação à presença de hipóxia (TABELA 5), em T1 e T3, um número maior de pacientes do Grupo P apresentou saturação inferior a 90% (Fisher - T1: p=0,007; T3: p=0,046). Nos outros tempos do estudo nenhuma diferença foi encontrada entre os grupos.


DISCUSSÃO

Na presente pesquisa, optou-se por trabalhar com dor aguda em recém-nascidos a termo, saudáveis para a validação de variáveis fisiológicas e comportamentais como instrumentos de avaliação de dor.

Os dois grupos estudados foram comparáveis nas suas principais características. Ocorreu uma diferença estatística significante referente ao intervalo entre a observação do recém-nascido para o estudo e a mamada. Os neonatos do Grupo Punção foram observados em média 33 minutos após a mamada e os do Grupo Fricção 31 minutos depois da alimentação. Não se espera que uma diferença média de dois minutos leve a repercussões nos resultados encontrados no estudo.

Nessa pesquisa, a mímica facial dos recém-nascidos em resposta ao estímulo doloroso foi bem caracterizada. Quando da aplicação do NFCS, observou-se que os valores absolutos do escore foram maiores nos neonatos do Grupo P, nos momentos mais invasivos do procedimento. Dessa maneira, a mímica facial parece ser um instrumento válido para a avaliação da dor aguda no recém-nascido a termo. Também, o NFCS parece ser um instrumento específico para avaliar a dor na população estudada, pois diferenciou a dor da punção do estímulo desagradável da fricção. No entanto, as modificações da mímica facial após o estímulo doloroso só se mantiveram por um curto período de tempo, o que dificulta a sua aplicação clínica para a avaliação da dor. Nesse sentido, deve-se interrogar por quanto tempo e com que freqüência a mímica facial de dor deve ser detectada para se indicar a intervenção analgésica.

Com relação à presença de dor, definida por NFCS superior a dois, cerca de 80% dos neonatos apresentaram dor durante e um minuto após o procedimento doloroso. Em contrapartida, apenas 32% dos neonatos manifestaram escore superior a dois durante a fricção e 24%, um minuto após a mesma. A dor desencadeou, portanto, alterações pronunciadas da mímica facial durante a fase mais invasiva do procedimento, sendo consistente com os achados de estudos previamente realizados.9,11,24,27 Parece interessante, em pesquisas subseqüentes, analisar a freqüência de cada movimento de expressão facial durante a punção e a fricção e verificar se, realmente, a associação entre fronte abaulada, olhos espremidos, sulco naso-labial aprofundado e lábios entreabertos ocorre especificamente em resposta à dor. Além disso, talvez a utilização de valores de corte mais elevados para o diagnóstico de dor permita uma especificidade e sensibilidade ainda maiores do Sistema de Codificação da Mímica Facial para a avaliação da dor no período neonatal.

O NFCS, realizado através de observação à beira do leito, parece útil para avaliar a presença de dor no período neonatal. Embora haja necessidade de algum treinamento prévio dos profissionais que avaliam a dor, a aplicação do NFCS não requer muito tempo. O treinamento para o reconhecimento da expressão facial de dor é, em geral, bastante fácil, pois os profissionais envolvidos com os cuidados dos recém-nascidos já estão, em sua maioria, familiarizados com as modificações da expressão facial desses pacientes.

Dentre as várias escalas multidimensionais de dor, validadas à época do início do estudo, optou-se pelo uso da NIPS, devido à facilidade de sua aplicação e de seu potencial para utilização à beira do leito. Em relação aos resultados, os escores obtidos no Grupo P mostraram-se mais elevados durante, um e três minutos após o procedimento, indicando ser a NIPS um instrumento válido para a avaliação da dor no recém-nascido, pois há consistência em seus valores durante os vários períodos de observação. A NIPS parece ser também específica para a avaliação da dor aguda no neonato a termo, pois diferencia o estímulo doloroso daquele desagradável, não doloroso. Chama atenção, entretanto, a fugacidade das alterações do escore, quando do estímulo doloroso. Para a aplicação clínica dessa escala, questiona-se, mais uma vez, por quanto tempo se deve esperar a sua alteração e com que freqüência a escala deve ser aplicada, antes da instituição de medidas analgésicas.

Com relação aos valores da NIPS nos diferentes tempos do procedimento, em ambos os grupos encontrou-se escores mais elevados em T0, T1 e T3. No entanto, no Grupo P os escores foram superiores aos do Grupo F. Isso significa que à manipulação, dolorosa ou não, o escore da NIPS se modifica, mas atinge níveis máximos quando o procedimento realizado é doloroso. Este achado denota a sensibilidade do instrumento para a detecção de dor, na população estudada.

Já, quando se observa a presença de NIPS superior a três, verifica-se que cerca de 80% dos recém-nascidos apresentaram dor durante a punção e um minuto após a mesma e apenas 32% e 24% dos neonatos apresentaram escore superior a três no momento e um minuto após a fricção, respectivamente. Estes resultados reforçam a validade da NIPS para a avaliação da dor do recém-nascido e a sua relativa sensibilidade e especificidade. No entanto, a escala deve ser sempre interpretada no contexto ambiental do paciente, não podendo e não devendo ser analisada como um instrumento isolado para a avaliação da dor do lactente pré-verbal. Além disso, outra questão se refere ao valor de corte para o diagnóstico de dor. Será que o corte em quatro ou cinco pontos não aumentaria a sensibilidade e a especificidade do instrumento?

É interessante ressaltar que a aplicação da NIPS à beira do leito é mais fácil do que a do NFCS, uma vez que a NIPS avalia a expressão facial como um todo, além de valorizar outras variáveis comportamentais e uma variável fisiológica em conjunto, enquadrando-se, mais do que o NFCS, no conceito de que o melhor instrumento para avaliar a dor é aquele que leva em consideração as múltiplas dimensões da dor.8

Em relação à utilização de outros métodos multidimensionais para a avaliação da dor do recém-nascido, deve-se lembrar que a Escala de Dor do Prematuro – PIPP já foi estruturada e validada para a aplicação em neonatos prematuros e a termo, em diferentes situações clínicas.29 Porém, quando da realização do presente trabalho, a escala PIPP ainda não havia sido desenvolvida. A utilização da PIPP talvez forneça informações mais consistentes em relação à resposta de dor principalmente de prematuros.

Nesse estudo, portanto, o NFCS e a NIPS foram válidos para a diferenciação do recém-nascido a termo sadio que recebeu o estímulo doloroso agudo, daquele que recebeu um estímulo desagradável, confirmando os achados da literatura.9,10,11,12,24,26 Estudos futuros são necessários para avaliar essas escalas diante de fatores que podem modular as respostas do recém-nascido à dor, como o estado de sono e vigília, a gravidade da doença e a experiência prévia de dor, entre outros, nos recém-nascidos a termo e em prematuros.

Em relação aos valores absolutos da freqüência cardíaca, observou-se que esta variável foi mais baixa no Grupo P, comparado ao F, apenas um minuto após o procedimento. Em ambos os grupos, houve queda da freqüência cardíaca durante a punção ou a fricção e um minuto após, com posterior normalização dos valores. Já quando se comparou o número de recém-nascidos com bradicardia ou taquicardia nos Grupos P e F só houve diferença significante três minutos após o procedimento. Estes achados são contrários aos esperados, pois na maioria dos pacientes puncionados a freqüência cardíaca decresceu durante o procedimento e a presença de taquicardia foi exceção. A hipótese mais provável é que artefatos técnicos tenham interferido na medida da freqüência cardíaca. É importante para o entendimento da resposta da freqüência cardíaca do recém-nascido à dor que os achados deste estudo sejam validados com a repetição do modelo experimental e a avaliação da freqüência cardíaca pelo oxímetro e pelo eletrocardiograma simultaneamente.

Em termos do uso da freqüência cardíaca para a avaliação da dor, esta variável isoladamente, com a técnica empregada neste estudo, não se mostrou válida para diferenciar recém-nascidos sadios submetidos a um procedimento doloroso, daqueles que receberam um estímulo desagradável. A freqüência cardíaca tampouco mostrou especificidade e consistência em seus valores durante os vários tempos do estudo. Deve-se ressaltar ainda que, na maioria das crianças, não houve uma modificação clinicamente importante e persistente da freqüência cardíaca durante a punção, que indicasse ao observador a necessidade de alguma medida terapêutica para o alívio da dor ou de interrupção do procedimento. Assim, as variações da freqüência cardíaca também não se mostraram sensíveis para a avaliação da dor, no contexto do modelo experimental utilizado neste estudo.

Sendo a freqüência cardíaca de uso rotineiro na monitorização de sinais vitais, a sua interpretação, em termos da presença de dor, deve ser muito cuidadosa. As variações da freqüência cardíaca podem ser utilizadas para a avaliação da dor do recém-nascido somente quando inseridas no contexto ambiental em que se encontra o neonato e sempre acompanhadas por métodos comportamentais ou multidimensionais de avaliação de dor.

Já em relação aos valores absolutos da saturação de oxigênio, embora houvesse diferenças estatísticas entre os Grupos P e F em vários tempos do estudo, em média eles se mantiveram acima de 90%. No Grupo P, os valores da saturação de oxigênio caíram um minuto após a punção e depois retornaram aos valores de base. No Grupo F, a saturação de oxigênio diminuiu durante a fricção, para depois voltar aos valores de base. Além disso, mais recém-nascidos do Grupo P apresentaram hipóxia um e três minutos após o procedimento. Dessa maneira, a saturação de oxigênio parece válida para a avaliação da dor do recém-nascido a termo, pois houve queda consistente e mais acentuada de seus valores no grupo submetido ao procedimento doloroso. No entanto, sabe-se que, como as outras variáveis fisiológicas, ela é inespecífica, uma vez que se altera diante de qualquer estímulo desagradável, o que também foi evidenciado neste estudo. Em conseqüência, a saturação de oxigênio só pode ser utilizada como um instrumento de avaliação de dor no contexto em que se encontra o paciente.

Outro problema identificado nesse estudo refere-se à sensibilidade da saturação de oxigênio para a avaliação da dor do recém-nascido. Embora tenham existido diferenças significantes do ponto de vista estatístico entre os valores encontrados no Grupo P e F um e três minutos após o procedimento, do ponto de vista clínico a diferença não foi relevante, uma vez que os valores médios se encontravam dentro do nível de normalidade. E mais ainda, no máximo cerca de um terço dos pacientes apresentaram hipóxia após a punção. Ou seja, a utilização da saturação de oxigênio para a avaliação da dor na prática clínica parece difícil. Dessa maneira, apesar de a saturação de oxigênio ser amplamente utilizada nas unidades de terapia intensiva para a monitorização do paciente internado, ela só deve ser utilizada como medida coadjuvante na avaliação da dor do recém-nascido.

Deve-se ressaltar que, no presente trabalho, os vários instrumentos de avaliação de dor, utilizados de forma isolada, não foram sempre concordantes em um mesmo paciente, indicando que o uso simultâneo de múltiplas informações pode auxiliar no diagnóstico de dor e confirmando a utilidade de escalas compostas para avaliação da dor nos neonatos.

Esse estudo confirma o padrão de respostas comportamentais exibido pelos recém-nascidos após um estímulo doloroso, colaborando para a validação dos instrumentos pesquisados para a avaliação da dor no neonato. No entanto, a presente pesquisa confirma também a pouca especificidade e sensibilidade das variáveis fisiológicas para avaliação da dor do recém-nascido, quando observadas isoladamente e fora do contexto ambiental em que se encontra o paciente. São necessárias novas pesquisas para a validação do NFCS e da NIPS em prematuros e em neonatos criticamente doentes. Só assim o subtratamento da dor deixará de ser uma prática rotineira no contexto das unidades de tratamento intensivo neonatais.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Stevens BJ, Johnston CC, Grunau RVE. Issues of assessment of pain and discomfort in neonates. J Obstet Gynecol Neonatal Nurs 1995, 24:849-55.
  2. Finley GA, McGrath PJ. Introduction: the roles of measurement in pain management and research. In: Finley GA, McGrath PJ, eds. Measurements of pain in infants and children. Seattle: IASP Press, 1998: 1-4.
  3. Beyer JE, Knapp TR. Methodological issues in the measurement of children’s pain. CHC Spring 1986, 14:233-41,.
  4. McGrath PA. An assessment of children’s pain: a review of behavioral, physiological and direct scaling techniques. Pain 1987, 31:147-76.
  5. Johnston CC. Psychometric issues in the measurement of pain. In: Finley GA, McGrath PJ, eds. Measurements of pain in infants and children. Seattle: IASP Press, 1998:5-20.
  6. Sweet SD, McGrath PJ. Physiological measures of pain. In: Finley GA, McGrath PJ, eds. Measurements of pain in infants and children. Seattle: IASP Press, 1998:59-82.
  7. McIntosh N, Van-Veen L, Brameyer H. The pain of heel prick and its measurement in preterm infants. Pain 1993, 52:71-4.
  8. Stevens B. Composite measures of pain. In: Finley GA, McGrath PJ, eds. Measurements of pain in infants and children. Seattle: IASP Press, 1998:161-178.
  9. Grunau RVE, Craig KD. Pain expression in neonates: facial action and cry. Pain 1987, 28:395-410.
  10. Grunau RVE, Johnston CC, Craig KD. Neonatal facial responses to invasive and non-invasive procedures. Pain 1990, 42:295-305.
  11. Guinsburg R, Berenguel RC, Xavier RC, Almeida MFB, Kopelman BI. Are behavioral scales suitable for preterm and term neonatal pain assessment? In: Jensen TS, Turner JA, Wiesenfeld-Hallin Z, eds. Proceedings of the 8th World Congress on Pain. Seattle: IASP Press,1997:893-902.
  12. Lawrence J, Alcock D, McGrath P, Kay J, McMurray SB, Dulberg C. The development of a tool to assess neonatal pain. Neonatal Network 1993, 12:59-66.
  13. Hadjistavropoulos HD, Craig KD, Grunau RVE, Johnston CC. Judging pain in newborns: facial and cry determinants. J Pediatr Psychol 1994, 19:485-91.
  14. Levine JD, Gordon NC. Pain in prelingual children and its evaluation by pain-induced vocalization. Pain 1982, 14:85-93.
  15. Anand KJS, Hickey PR. Pain and its effects in the human neonate and fetus. N Engl J Med 1987, 317:1321-9.
  16. Murray AD. Infant crying as an elicitor of parenteral behavior: an examination of two models. Psychol Bull1979, 86:191-215.
  17. Corwin MJ, Lester BM, Golub HL. The infant cry: what can it tell us? Curr Probl Pediatr 1996, 26:325-34.
  18. Golub HL, Corwin MJ. Infant cry: a clue to diagnosis. Pediatrics 1982, 69:197-201.
  19. Johnston CC, Strada ME. Acute pain response in infants: a multidimensional description. Pain 1986, 24:373-82.
  20. Johnston CC, Stevens B, Craig KD, Grunau RVE. Developmental changes in pain expression in premature, full-term, two- and four-month-old infants. Pain 1993, 52:201-8.
  21. McGrath PJ. Behavioral measures of pain. In: Finley GA, McGrath PJ, eds. Measurements of pain in infants and children. Seattle: IASP Press, 1998: 83-102.
  22. Owens ME. Pain in infancy: conceptual and methodological issues. Pain 1984, 20:213-30.
  23. Franck LS. A new method to quantitatively describe pain behavior in infants. Nurs Res 1986, 35:28-31.
  24. Craig KD, Whitfield MF, Grunau RVE, Linton J, Hadjistavropoulos HD. Pain in the preterm neonate: behavioural and physiological indices. Pain 1993, 52:287-99.
  25. Grunau RVE, Holsti L, Whitfield MF, Ling EY. Clinical bedside assessment of procedural pain in extremely low birth weight neonates: which body movements indicate distress? In: World Congress on Pain. Vancouver: Abstracts, 1996:180 (Abstract, 232).
  26. Craig KD, Hadjistavropoulos HD, Grunau RVE, Whitfield MF. A comparison of two measures of facial activity during pain in the newborn child. J Pediatr Psychol 1994, 19:305-18.
  27. Lilley CM, Craig KD, Grunau RE. The expression of pain in infants and toddlers: developmental changes in facial action. Pain 1997, 72:161-70.
  28. International Association for the Study of Pain Subcommittee on Taxonomy. Pain terms: a list with definitions and notes on usage. Pain, 6:249-52, 1979.
  29. Stevens B, Johnston C, Petryshen P, Taddio A. Premature Infant Pain Profile: development and initial validation. Clin J Pain 1996, 12:13-22.
  30. Truog R, Anand KJS. Management of pain in the post-operative neonate. Clin Perinatol 1989, 16:61-78.
  31. Wardlaw SL, Stark RI, Baxi L, Frantz AG. Plasma beta-endorphin and beta-lipotropin in the human fetus at delivery: correlation with arterial pH and pO2. J Clin Endocrinol Metab 1979, 49:888-91.
  32. Maisels M, Gifford K. Normal serum bilirubin levels in the newborn and the effect of breast feeding. Pediatrics 1986, 78:837.
  33. Belsey EM, Rosenblatt DB, Lieberman BA. The influence of maternal analgesia on neonatal behaviour. I. Phetidine. Br J Obstet Gynaecol 1981, 88:398-406.
  34. Hodgkinson R. Double-blind comparision of maternal analgesia and neonatal neurobehaviour following intravenous butorphanol and meperidine. J Int Med Res 1979, 7:224.
  35. Apgar V. A proposal for a new method of evaluation of the newborn infant. Curr Res Anesth Anaalg 1953, 32:260-7.
  36. Volpe JJ. The neurological examination: normal and abnormal features. In: Volpe JJ ed. Neurology of the Newborn. Philadelphia: W B Saunders,1995:95-124.
  37. Edmonds LD, Layde PM, James LM, Flynt JW, Erickson JD, Oakley Jr. GP. Congenital malformations surveillance: two american systems. Int J Epidemiol 1981, 10:247-52.
  38. Chung CS, Myrianthopoulos NC. Congenital anomalies: mortality and morbidity, burden and classification. Am J Med Genet 1987, 27:505-23.
  39. Khoury MJ, Erickson JD, Cordero JF, McCarthy BJ. Congenital malformations and intrauterine growth retardation: a population study. Pediatrics 1988, 82:83-90.
  40. Ramos JLA. Avaliação do crescimento intra-uterino por medidas antropométricas do recém-nascido. São Paulo, 1983. 180 p. [Tese - Doutorado - Universidade de São Paulo]
  41. Southall DP. Study of cardiac rhythm in health newborn infants. Br Heart J 1979, 43:14-20.
  42. Dudell G, Cornish JD, Bartlett RH. What constitutes adequate oxygenation? Pediatrics 1990, 85:39-41.
  43. Siegel S. Estatística não paramétrica. México: Trillas, 1975. 346p.

TABELA 1 Características gerais dos recém-nascidos dos grupos punção (P) e fricção (F)

 

Grupo P

(n=33)

Grupo F

(n=37)

p

Peso (g)

(média + DP)

3.160 + 556

3.052 + 479

0,38a

Idade gestacional (sem.) (média + DP)

39 + 1

39 + 1

0,93a

APGAR 1o minuto

(média + DP)

8 + 1

9 + 1

0,09a

APGAR 5o minuto

(média + DP)

9 + 0

9 + 0

0,36a

Sexo masculino

n (%)

19 (58%)

25 (68%)

0,39b

RN AIG

n (%)

25 (76%)

28 (76%)

0,99b

Idade pós-natal (h)

(média + DP)

59 + 25

52 + 17

0,18a

Min. Pós-mamada

(média + DP)

33 + 5

31 + 2

0,02a

a: Teste t de Student; b: Teste do Qui-Quadrado


TABELA 2 – Valores do nfcs e da nips nos recém-nascidos dos grupos punção (P) e fricção (F), expressos em mediana (variação), nos diferentes períodos de observação

 

Grupo P

(n=33)

Grupo F

(n=37)

Mann-Whitney

P

NFCS

     

PRÉ

0 (0-0)

0 (0-0)

1,00

T0

5 (0-8)

1 (0-8)

< 0,00001

T1

8 (0-8)

0 (0-8)

< 0,00001

T3

0 (0-8)

0 (0-8)

0,006

T5

0 (0-8)

0 (0-8)

0,80

T10

0 (0-0)

0 (0-0)

1,00

NIPS

     

PRÉ

0 (0-0)

0 (0-0)

1,00

T0

5 (0-7)

1 (0-7)

< 0,00001

T1

7 (0-7)

0 (0-7)

< 0,00001

T3

0 (0-7)

0 (0-7)

0,0074

T5

0 (0-7)

0 (0-7)

0,77

T10

0 (0-0)

0 (0-0)

1,00

NFCS: Teste de Friedman - Grupo P (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p<0,00001

- Grupo F (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p=0,002

NIPS: Teste de Friedman - Grupo P (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p<0,00001

- Grupo F (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p=0,0003


TABELA 3 – Número (porcentagem) de recém-nascidos com valores do NFCS superiores a dois e da NIPS superiores a três nos grupos punção (P) e fricção (F), nos diferentes períodos de observação

 

Grupo P

(n=33)

Grupo F

(n=37)

X2/Fisher

P

NFCS >2

     

PRÉ

0

0

1,00

T0

25 (76%)

12 (32%)

0,0003

T1

27 (82%)

9 (24%)

< 0,00001

T3

16 (48%)

1 (3%)

< 0,00001

T5

3 (9%)

2 (5%)

0,60

T10

0

0

1,00

NIPS >3

     

PRÉ

0

0

1,00

T0

25 (76%)

12 (32%)

0,0003

T1

26 (79%)

9 (24%)

< 0,00001

T3

13 (39%)

1 (3%)

< 0,00015

T5

4 (12%)

2 (5%)

0,66

T10

0

0

1,00


TABELA 4 – Valores da freqüência cardíaca (bpm) e da saturação arterial de oxigênio (%) nos neonatos dos grupos punção (P) e fricção (F), expressos em média e desvio-padrão, nos diferentes períodos de observação

 

Grupo P

(n=33)

Grupo F

(n=37)

Mann-Whitney

P

FC

     

PRÉ

131 + 14

128 + 14

0,31

T0

98 + 42

106 + 36

0,57

T1

88 + 39

113 + 30

0,01

T3

120 + 33

125 + 17

0,95

T5

128 + 18

124 + 17

0,31

T10

131 + 13

127 + 12

0,26

SAT.O2

     

PRÉ

95 + 2

97 + 2

0,0066

T0

96 + 7

93 + 7

0,13

T1

90 + 8

95 + 4

0,0002

T3

93 + 5

95 + 2

0,045

T5

95 + 3

96 + 2

0,01

T10

96 + 2

97 + 1

0,107

FC: Teste de Friedman - Grupo P (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p=0,0006

- Grupo F (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p=0,03

SATO2: Teste de Friedman - Grupo P (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p=0,0003

- Grupo F (PRÉ vs T0 vs T1 vs T3 vs T5 vs T10): p=0,0002


TABELA 5 - Número (porcentagem) de neonatos com bradicardia e/ou taquicardia e com hipóxia nos grupos punção (P) e fricção (F), nos diferentes períodos de observação

 

Grupo P

(n=33)

Grupo F

(n=37)

X2/Fisher

P

FC<80 e/ou >160 bpm

     

PRÉ

0

0

1,00

T0

14 (42%)

11 (30%)

0,55

T1

19 (57%)

8 (22%)

0,12

T3

7 (21%)

1 (3%)

0,045

T5

1 (3%)

1 (3%)

1,00

T10

0

0

1,00

Sat.O2 < 90%

     

PRÉ

0

0

1,00

T0

8 (24%)

7 (19%)

0,59

T1

12 (36%)

3 (8%)

0,007

T3

6 (18%)

1 (3%)

0,046

T5

1 (3%)

1 (3%)

1,00

T10

0

0

1,00